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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Não se pode falar dos problemas do mundo sem olhar os problemas ao nosso redor




- Um devaneio sobre o espetáculo "Tareias" do Grupo Redimunho

Numa segunda feira a noite, onde a semana e o desânimo se afloram em nossos semblantes. Em um espaço no meio da cidade acontece um espetáculo. Não daqueles onde nos fechamos na segurança das quatro paredes da caixa preta teatral, mas um espetáculo onde somos levados também para os espaços desconhecidos desta cidade e nos deixando vulneráveis e entregues para todo e qualquer estímulo.

Um teatro de rua que ocorre em meio ao vai e vêm dos seres sonâmbulos das ruas, onde seres fantásticos fundem-se com pessoas reais e de intensos problemas reais. Ali, somos expostos e lembrados da violência diária, das guerras internas e externas, das pequenas mortes e de nossas mortes carnais.

Lembramos da Maria de nome simples,
Mas sem esquecer das de nome longo e composto.

Lembramos da mulher que sofre nas mãos de seu amado
Sem esquecer daquela abusada sexualmente no vagão do trem.

Sentimos o cheiro forte na urina que se funde no mármore do Theatro Municipal
E nos banqueteamos ao som de marchinhas (afinal, a vida é uma festa).

Somos conduzidos por um cortejo que, durante seu percurso, brotam imagens poéticas e que entram em choque com a realidade de uma metrópole: a bela menina que balança e quase levanta voo no viaduto do chá, tem debaixo de seus pés moradores de rua, crianças que se deslumbram com aquela imagem entre uma baforada e outra de cola de sapateiro em seus saquinhos de plástico ou garrafinhas de guaraná Dolly.

- Isso é real ou estou brisando? - Pergunta um menino que não deve ter mais que 12 anos deslumbrado com o cortejo que corta o Vale de Anhangabaú.

- Acho que é brisa - Diz o outro, aparentando menos idade. Este, veste uma camiseta vermelha com uma estampa escrita: "Sementes da criação".

Mais crianças entorpecidas pela cola se aproximam e assistem as cenas que ocorrem na rua. Se encantam, querem participar. Tudo aquilo parece ser novo pra elas, chego a pensar que provavelmente já devem ter visto o espetáculo diversas vezes, mas com os efeitos da droga pouco se lembram que o grupo passa por suas moradas cerca de três vezes na semana.

Chegando ao fim do espetáculo, uma roda se forma. Atores, público, as crianças e os transeuntes dão as mãos e cantam junto com o elenco. Não há diferenças de quem é quem. Vejo sorrisos de alegria da moça bem vestida pagante e da menina de rua de mãos dadas com ela.

Esse mundo cão em Tareias também dá as mãos ao mundo cão diluído e dilatado da cidade. E todos cantam a ciranda de nossas dores mais profundas.


Mais um dia que morremos, mas cantando juntos na ciranda.

1 comentários:

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